segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Prólogo - Tana, Serec e Ioma

Antigo Japão, Século XXIII

O mundo e sua população estão em constante mudança e evolução. Mas, em alguns momentos acontecem para pior, demonstrando que ainda há muita coisa a se transformar.
O Japão já foi conhecido como um dos países mais conservadores por um lado e também mais liberais por outro. Porém, os anos e séculos passam, países mudam de nome e também de conceito.
E na antiga região que era conhecida como Hokkaido, existe a cidade de Ioma, que é uma junção das antigas cidades de Tana e Serec, que há cerca de 60 anos entraram em guerra que ficou registrada nos livros de história como A Guerra do Minério.
Tana era conhecida por ser um grande polo tecnológico. Novos produtos e tecnologias eram criadas e fabricadas constantemente. Em poucos meses, um lançamento logo já era considerado obsoleto. E esta demanda de produção requeria muita matéria-prima em estoque, porque nem mesmo a reciclagem dava conta sozinha. Tudo era vendido interna e externamente, para cidades e até países vizinhos.
E de onde Tana conseguia tantas matérias? De Serec.
Serec era cerceada por montanhas repletas de minérios dos mais variados tipos. Maior parte da riqueza da cidade vinha da venda destas matérias, especialmente para Tana.  Vendidas para as enormes fábricas que preenchiam boa parte da cidade.
Tana veio com mais uma inovação, dessa vez uma linha de carros que praticamente zerava os poluentes emitidos e com o máximo de potência. (Sim, a humanidade ainda tentava descobrir esse tipo de coisa.) Contudo, havia algo que encarecia e talvez até impedisse que o produto fosse ao mercado. Um minério raríssimo e que só se encontrava em regiões muito distantes. Além disso,  o próprio transporte do material era caro.
Só que houve uma surpresa: o tal minério foi encontrado em abundâncias nas minas de Serec. Logo explodiu o interesse de cidades vizinhas e próximas, incluindo Tana.
Mas, Tana era mais ambiciosa do que se poderia imaginar. Eles não iam dividir toda essa raridade com os vizinhos, lhes dando oportunidade de enriquecer. E também não iam deixar Serec enriquecer de maneira tão fácil.
Então, decidiram por algo bem simples: Invadir Serec e toma-la. Sem aviso prévio, afetando todo o território e principalmente a população.
Na verdade, é errado usar o termo Guerra. O que aconteceu naquele dia foi um verdadeiro massacre. Serec foi tomada sem qualquer chance de defesa.
Apenas a população pobre foi prejudicada com tudo isso. Os donos de mineradoras de Serec e os donos de fábrica de Tana fizeram um acordo de comércio.  Realizou-se um referendo entre as populações ricas das duas cidades decidiu pela unificação, criação de Ioma  e a subjulgação da população mais pobre.
Criaram a Lei dos Escravos, que foi uma maneira de diminuir a prostituição na região. Onde crianças entre 10 e 18 anos são vendidas como escravos sexuais para os ricos, tudo para eles tenham o prazer dentro de casa.
Todos os ricos de Serec mudaram-se para a região que pertencia a Tana. As fábricas foram transferidas para a antiga área das ricas mansões de Serec.
Tudo mudou em alguns poucos meses, a ex-Serec se tornou uma área pobre e de favelas. A ex-Tana era a área dos ricos, dos arranha-céus e das mansões.
Os com mais condição simplesmente continuaram com suas vidas, como se nada tivesse acontecido. Porém, os mais pobres foram obrigados a se lembrar todo dia do que aconteceu, obrigados a servir os ricos em suas casas.
Crianças e adolescentes tinham suas vidas destruídas por conta da escravidão. Muitos mal conseguiam terminar os estudos. Isso piorou ainda mais a já precária condição deles.
Tudo o que mais queriam era ter a sua liberdade plena e não viver a mercê de alguns poucos. Maiores oportunidades para eles, uma chance, uma luz no final do túnel.


domingo, 3 de dezembro de 2017

Capítulo 40 - Rompimento

Despertei com o sol já incomodando. Olhei para o lado e Kazuko ainda dormia. Resolvi ir a cozinha para preparar o café da amanhã. Talvez demorasse para ela acordar, então decidi que leria mais um trecho do diário após terminar de pôr a mesa.
O “capítulo” em questão era exatamente o do dia seguinte e também quando tudo mudou... De novo.

“Querido diário,
O dia de hoje está terminando bem mais leve. Sabe quando você arranca e se livra de algo que te fazia mal? Pois é!
Só que contarei na ordem que aconteceu.
Acordei como todos os outros dias e fui a sala para comer. Cumprimentei Makoto, já que só havia ele lá. Fui a cozinha para falar com Keiko.
- Ficou tudo bem ontem? – ela perguntou
- Sim. Só serei punida, é claro.
- Nada além do normal. Menos mal assim!
Retornei a sala e Kana estava lá, que soltou ao me ver:
- Ora, ora! Bom dia, esquentada. Está mais calma?
Ela já acordou para tentar acabar com meu dia. Haja veneno para uma pessoa só. Respondi:
- Sim. Só raiva passageira.
- Alias, adorei o seu showzinho ontem. Gostou de se sentir importante?
Caralho, que filha da puta! Eu respirei fundo para não voar no pescoço dela em plena sete da manhã. Mas é claro que não ia deixar barato. Se me atacar, eu vou atacar.
- Gostei sim. Ainda mais da sua cara quando te mandei parar de mexer nas minhas coisas.
Ela bufou por dentro. Percebi por conta das narinas inflarem.
- Vocês se satisfazem com tão pouco. – ela retrucou – Está se sentindo toda por ter tirado uma careta minha. Que forma mais ridícula de tentar me rebaixar!
- Como você faz o tempo todo comigo e com a Keiko.
- Ainda quer colocar a empregada na discussão? Apenas coloco vocês no seu devido lugar. – o tom de voz aumentou – A empregada e a escrava: é só isso que vocês são. E nunca serão nada melhor! Porque são duas pobres e fodidas!
Foi uma agressividade enorme, ao ponto de eu me sentir mal, enjoada e até com vontade de chorar. Não é agradável receber algo de forma tão gratuita assim. Ela fez uma careta, esperando uma réplica, só consegui dizer, me levantando:
- Com licença, vou pro meu quarto. Eu perdi a fome! – e olhei para Makoto, que só assistiu àquela cena”
Não fui capaz de ter uma reação se quer durante aquilo. Não esperava vê-las brigar assim na minha frente. E a cena me serviu para confirmar algo que me incomodava já tinha um tempo: Se devia ou não continuar meu namoro com Kana.
Já havia um tempo que não estava mais tão feliz assim. Sentia-me esquisito perto dela, aind amais quando notava que ela fazia as mesmas coisas que sempre fez. Sem contar o fato de humilhar tanto a Keiko quanto a Kazuko.
Cheguei até a conversar com meu pai sobre o assunto e ele só me disse para eu pensar melhor e com cuidado para decidir o que fosse melhor para mim.
E a decisão se tornou clara naquele momento.
- Kana, a gente precisa conversar.
- Fale, querido.
- Quero terminar.
- Como é? Está louco, Makoto?
- Não. Tenho pensado muito nisso por um bom tempo. Não deu certo antes e não está dando agora. Não para mim!
- Não me diga que é por causa dela.
- E se for? Qual o problema?
- A coisa é de família então. – ela sussurrou, levantando e indo em direção ao quarto
- O que disse? – eu a segui
- Quer saber? Você é igual o seu pai! Um apaixonado por escravas.
- Não abra essa boca para falar da minha família. Minhas três madrastas são bem melhores do que você. Até a Kazuko é. A Keiko é. Você, Kana, é só uma pessoa fútil e preconceituosa. Não sei porquê te dei uma segunda chance. Não mudou nada. – gritei com toda a minha energia
- Achei que pudesse erradicar essa sua “bondade”, mas a doença é incurável.
- A sua também! Pegue suas coisas e vá embora. Não quero te ver nunca mais!
- E enfia essa porra de anel no seu cu, Makoto. – e saiu batendo a porta da sala, jogando o anel em mim
Sentei-me no sofá e senti meu corpo quente e meu coração acelerado. Keiko me trouxe um copo de água.
- Obrigado, Keiko. E me desculpe por tê-la feito escutar tudo.
- Teve alguém que ouviu bem melhor do que eu.
“Mal entrei no quarto e ouvi gritos vindos do corredor. Makoto e Kana pareciam estar numa discussão daquelas. Eu não consegui entender nada. Da mesma forma que o barulho surgiu, ele sumiu. Fiquei aflita e receosa de sair dali. Então, a maçaneta virou e ele quem entrou, com a gravata afrouxada.
- Não vai trabalhar? – indaguei
- Daqui a pouco. Vim falar primeiro com você.
- E a Kana? Não reclamou?
- Podemos esquecê-la?
- Como assim? – fiz careta
- O que é passado deve ficar no passado. Acabei de terminar com ela.
- Até que enfim. – desabafei
- É verdade! – sorriu e olhou para o lado, vendo algo que deixei na mesa de cabeceira na noite anterior – O que é isso?
- Um vibrador, Makoto.
- Eu sei. Mas onde conseguiu?
- A Rin me deu de presente no ano passado.
- Então quer dizer que a senhorita está tendo prazer sem mim? - ironizou
Ao completar a fala, ele tirou a gravata e usou-a para amarrar minhas mãos na cama.
- Ei, Makoto, o que está fazendo?
- Eu vou te dar uma lição?
Ele me perguntou como se limpava aquilo. Respondi que simplesmente com água e sabão. E ele foi ao banheiro para tal.
Pensei: Ele vai mesmo usar isso em mim? A resposta foi sim.
Makoto tirou a minha calcinha e me mandou manter as pernas abertas. E sem problema algum, ele soube ligar e começou a usar o vibrador em mim. Estimulou um pouco a área externa, antes de colocar dentro.
Não era tão diferente de quando eu mesma uso, porém só por Makoto estar fazendo já me deixava gemendo e muito. Minhas pernas não paravam quietas e eu não queria que acabasse, tinha meses que eu não recordava dessa sensação. Parecia que a qualquer momento minha alma ia sair do meu corpo. Cada segundo ficava mais em êxtase. Houve um momento que senti um calor subir pela espinha, meu corpo se contorcer e depois veio um relaxamento completo. Makoto riu na sequência e eu nem liguei, até que ele retirou o vibrador de mim, colocou no criado-mudo e tirou suas roupas.
- Você me deixou numa situação tensa aqui. Não posso ir trabalhar nesse estado.
Sorri para ele enquanto subia na cama e depois me beijou. E sem enrolação nenhuma penetrou e começou o movimento de vai e vem. E eu mal tinha me recuperado do vibrador, então gemia talvez mais que antes. Contudo, senti algo me incomodar em meus pulsos.
- Makoto, será que pode me desamarrar?
Imediatamente ele esticou o braço e desfez o laço. Agora livre, abracei-o, deixando nossos corpos ainda mais próximos. Não demorou muito para ele gozar.
Jogando-se do outro lado da cama, Makoto respirou e disse:
- Droga, vou precisar de um banho.
Se virou para mim e já respondi, pois sabia o que ele ia perguntar.
- Sim. Ainda estou tomando o remédio. Não se preocupe.
- Tudo bem. Só não era isso que ia falar. É que tem tanto tempo que não me sinto satisfeito assim... E tão bem!
- Você tirou um peso.
- Verdade!
- Desculpa perguntar esse tipo de coisa, mas era mesmo tão ruim assim?
- No começo até era bom, mas como tempo foi ficando mais entediante e repetitivo.
- Entendi. Lamento por isso.
- Não precisa. Eu que me enfiei nessa merda e eu mesmo sai. – ele levantou – Vem comigo?
Assenti e logo estávamos embaixo do chuveiro. Ele se banhou depressa ou se atrasaria. Despediu-se de mim dando-me um beijo na testa.
Fazia meses que me sinto bem assim. E estou animada de novo para Makoto chegar em casa. Até a Keiko notou.
Falando nela, vou ajuda-la a terminar o jantar.
Até!”
- Bom dia, Makoto. – ela falou me abraçando por trás – Sempre lendo o diário. Não vejo a hor de acabar.
- Já te disse que parece aquele tipo de livro impossível de parar de ler. Mesmo que eu já saiba a história.
Ela sorriu e completou:
- Vamos comer. Eu e Takumi estamos com fome! 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Capítulo 39 - Regras e promessas quebradas

Semanas e mais semanas se passaram, tanto no diário quanto para vida real.
Hoje é um sábado e acabei de voltar do chá de bebê do meu terceiro irmão, ou melhor, da minha irmãzinha. Esta foi a novidade contada no evento. Ainda bem que o presente que demos foi totalmente agênero.
Era final de noite e mesmo cansado queria ler o diário. Kazuko foi com Takumi para tomarem banho e depois dormir. Eu fiquei na sala.
Nas leituras anteriores, lembrei do meu 23º aniversário, que teve de interessante só meu almoço com Kazuko, onde até cantar parabéns para mim cantou. A festa em si foi bem ruim.
E o trecho ao qual cheguei hoje foi o 19º aniversário dela. O mês de punição já terminara havia umas semanas. Então, ela tinha voltado a sair.
“Ai diário,
Se no ano passado tive o melhor aniversário da minha vida, neste ano foi o pior.
Não tenho do que reclamar do dia que passei na casa de minha mãe. Foi uma festa com tudo de melhor que recordava minha infância. Com toda a família. E para aproveitar ao máximo, sai pouco após o café. E claro, Makoto e Kana me perguntaram:
- Aonde vai tão cedo? – ela, venenosa
- Vou à casa de minha mãe. E só voltarei no final da tarde.
- Por que vai lá? – ele dessa vez
- É uma data especial.
Ele só assentiu. Eu estava meio chateada por ele não ter lembrado.
- Divirta-se com a sua gente. – soltou Kana
Não respondi. Ia sair, mas Keiko me chamou, deu-me um pequeno presente e me abraçou:
- Feliz aniversário, Kazuko. Espero que aproveite seu dia. – continuou, segurando meus ombros – Se não for incômodo, posso fazer um bolo para você?
- Pode! De chocolate.
Despedi-me dela e sai.
Peguei o transporte público e o trânsito estava tranquilo e logo cheguei.
- Filha, que bom que está aqui! – me apertou num abraço – Parabéns! Tudo de bom para você. Que seus sonhos se realizem.
- Obrigada, mãe. – sorri
- E como vão as coisas por lá?
- Na mesma. E bem, só a Keiko lembrou e me presentou. Nem abri ainda.
- Então foi até bom ter vindo para cá. Agora me ajude a terminar de arrumar.
O resto da manhã passei apenas com minha mãe. No início da tarde, os convidados começaram a aparecer. Foi um almoço e eu matei a saudade que estava da comida dela. Até Rin e Namie foram.
Comemos e depois todos resolveram perguntar sobre como estava minha vida de escrava, já que era a única pessoa que contava as experiências em tempo real. E claro, queriam saber onde estava meu “dono dos sonhos”.
- Trabalhando provavelmente. – respondi – E mais tarde estará com a namorada.
- Quê? Namorada? – gritaram todos, exceto mamãe, Rin e Namie
- Sim. Tem pouco mais de seis meses. Podemos não falar sobre ela? Não nos damos muito bem. – vi RIn fazer uma careta – E bem, acabamos até brigando.
- Brigar como, filha? – indagou minha mãe
- Fisicamente. Na verdade, eu apanhei mais do que qualquer outra coisa.
Apesar das facetas chocadas, acho que foi a coisa mais normal que me ocorreu nesta vida de escrava até então.
No final da tarde, cantamos parabéns, soprei as velas e cortamos o bolo. Estava perto da hora de partir, era próxima da hora do sol se pôr. Auxiliei minha mãe a organizar e limpar tudo. Peguei carona com Rin e Namie. Mas, não contava com uma coisa: engarrafamento. Era dia de semana e horário de pico. Uma viagem que levaria normalmente meia hora, estava durando um hora a mais.
- Será que o Makoto não reclamará de seu atraso? – Rin questionou
- Não! Acho que ele vai me dar um desconto por ser hoje.
- Melhor ligar para lá de qualquer forma. – Namie opinou
- Tem razão. Farei isso.
Peguei meu celular e liguei par aa casa de Makoto, Keiko atendeu e disse que informaria imediatamente assim que ele chegasse.”
Ela só não contava com a Kana. Keiko tentou falar comigo assim que entrei, porém Kana interrompeu três vezes mandando trazer o jantar. Acabou que ela ficou ocupada depois disso, só pode falar quando eu mesmo perguntei, respondendo:
- Ela ligou, disse estar presa do trânsito, mas está de carona com a Rin.
Apenas assenti e Kana esbravejou:
- Isso é um absurdo! Ela claramente descumpriu a regra. Vai ver quando chegar
- Pelo menos ela avisou, Kana. – argumentei
- Pare de ser conivente com o que ela faz. Eu disse que um dia ela ia abusar. Olha só!
“Cheguei uma hora depois. Agradeci a carona e subi. Entrei e Kana me recebeu do pior jeito possível:
- Onde estava até essa hora, escrava? E ainda foi fazer compras. – pegou minha bolsa com os presentes e começou a tirar item por item – E que mal gosto, hein.
Parecia em câmera lenta. Uma puxada, uma cara de reprovação. O pior era Makoto assistindo a tudo e mastigando. Imagina o misto de tristeza e ódio que eu fiquei. Meu corpo e o fundo dos olhos arderam. Fechei-os e respirei forte. Não queria que aquilo continuasse a acontecer.
Tomei a bolsa dela e, antes de recolher os objetos que foram jogados no chão, falei com a voz mais fria que saiu de mim:
- Com licença, Kana, estes são meus presentes de aniversário e não quero me mexa neles.
Numa outra situação ela retrucaria, mas acho que ela ficou em choque com a frieza de minha fala. Dirigi-me a Makoto e peguei um pedaço de bolo e uns doces que levei para ele. Só que dessa vez não consegui mascarar as emoções.
- Trouxe isso para você, não sei nem o porquê. – uma lágrima solitária caiu – Obrigada por manter suas promessas. Agradeço por me dar o melhor e o pior aniversário da minha vida.
E simplesmente me virei e caminhei até o meu quarto, desabando no choro mesmo antes de atravessar a porta. Bati-a, larguei tudo em qualquer lugar e me joguei na cama.”
Assim que Kazuko saiu, Kana falou se aproximando:
- Ela enlouqueceu? Quem ela pensa que é para “não querer que eu mexa”? Vou coloca-la no lugar dela agora mesmo.
Ameaçou sai, mas a peguei pelo pulso antes.
-Ela está com raiva porque esqueci o aniversário dela, Kana. Deixe-a sozinha um pouco.
- Foda-se que é o aniversário dela. Ela claramente desobedeceu a uma regra e temos que verificar as coisas que ela trouxe consigo.
- Você quer xeretar, não apenas verificar.
Keiko passou carregando o bolo de chocolate. E Kana se enfureceu ainda mais.
- Até bolo? Sinceramente, Makoto, eu não te entendo. – bufou
- Ele não me pediu para fazer. – Keiko comentou
- Ora, menos mal. – ela sorriu – Só que você não vai levar isto para ela.
- Por que não? – indagou Keiko
- Ela está merecendo?
- É aniversário dela! Ela merece! E não se preocupe que via sobrar um pedaço para ti.
- Makoto! – gritou – Faça algo quanto a isso.
- O que? Concordo com ela. Pode levar! – Keiko saiu e Kana bufou de novo – Que foi? É só um bolo.
- É só um bolo, Makoto. Sim! Imagine. Ela chegou fora do horário estipulado e nos desrespeitou assim que chegou.
- Kana, para! Qual é o seu problema com ela?
- Ela é o problema! Uma escrava muito abusada pro meu gosto. E você aceita e dá liberdade a tudo o que ela faz.
- Vou puni-la por isso, mas só amanhã.
“Uns minutos depois, alguém bateu a porta.
- Makoto, vai embora! – esbravejei
- É a Keiko, Kazuko.
- Pode entrar. – levantei-me e enxuguei meu rosto e sorri ao ver o que ela trazia
- Espero que lhe anime um pouco.
- Caramba, Keiko, esqueci de abrir o presente. – corri e peguei-o na minha bolsa, sentei-me na frente dela e abri, era um colar com meu nome como pingente – Obrigada! – abracei-a
Então, ela me pediu para segurar o bolo, pegou um acendedor de velas. Cantamos juntas, eu assoprei e ela cortou dois pedaços e comemos nos pratos de sobremesa que ela trouxe.  Claro que o primeiro pedaço foi a para a aniversariante.
- Se eu pudesse, te levaria para dormir lá em casa. – ela confessou – Pelo menos para ficar longe dela um pouco.
- Makoto não deixaria.
Conversamos sobre como foi meu dia e logo depois Keiko foi para casa.
Fiquei sozinha de novo e resolvi arrumar meu quarto para me distrair. Tomei um banho e vesti um pijama antes da sessão de arrumação. Fui tirando os presentes um a um e guardando-os. Maioria eram roupas.
De tão distraída até me assustei quando ouvi batidas na porta. Makoto entrou.
- Só vim falar com você antes de dormir. – cruzei os braços esperando ele continuar – Desculpe ter esquecido o se aniversário. Tenho estado tão ocupado.
- Como a Kana, é claro.
- Também! E... Bem, vou ter que te punir por ter chegado fora do horário... – senti que tinha algo mais a dizer
- E o que mais? Vai me punir por tê-la “destratado”?
- É! Pela sua grosseria com ela.
- Onde? – soltei, indignada – Realmente, Makoto, ela te manipula mais do que pensei. Daqui para frente só tende a piorar. Mas, tudo bem. Sei bem qual o meu lugar, apesar dela achar que não. Suspensão de liberdade diurna de novo?
- Sim! – suspirou – Era só isso. Boa noite!
- Ei, não está esquecendo nada?
Ele sorriu e ao me abraçar, falou:
- Feliz aniversário, Kazuko! Ficarei devendo seu presente por enquanto. E peço desculpas outra vez.
- Eu te perdoo, mas não significa que deixarei de ficar chateada,
Assim, ele se despediu e foi ao seu quarto.
Eu me senti péssima e culpada por estar loucamente apaixonada por ele. A culpa por perdoar, sendo que estava certa de agir da forma como agi.
E bem, usei o presente da Rin – o vibrador – de novo. Talvez para tentar controlar essa carência que estou. Contudo, o vazio ao fim foi o pior de todos. Chorei até cair no sono. Acordei com o travesseiro molhado e vim escrever aqui, precisava colocar para fora.
Voltarei a dormir agora.
Boa noite!”
Já estava tarde e terminei a leitura com um bocejo. Levantei e fui ao quarto e encontrei Kazuko colocando Takumi no berço. Ela sorriu ao me ver.
- Vou tomar banho para deitarmos.
-Tudo bem, te espero.
Apesar de ter quase apagado no banho, levei poucos minutos e sai. Desliguei a luz do quarto e somente o abajur do lado dela me guiou até a cama.

Ajeitei-me, dei um beijo de boa noite nela. Tudo ficou escuro e dormimos.