terça-feira, 8 de abril de 2014

Capítulo 5 - O festival

Os alunos do Colégio Sakura acordaram cedo naquele sábado e se arrumaram para ir a escola.
De um outro lado, Ryouta Matsumura se preparava, com alguns capangas seus, para finalmente raptar Yuki Oouchi. Decidiu fazer com suas próprias mãos, já que da última vez não conseguiram. Ele tinha esse pensamento: Se quiser que façam direito, faça você mesmo.
O festival começava às dez da manhã e acabava às três da tarde. Os alunos vieram mais cedo para poderem trocar de roupa e terminarem de colocar algumas coisas no lugar.
Asai terminou de arrumar as coisas da sua competição e precisava falar com Shinto, então, enviou-lhe uma mensagem:
“Preciso falar com você. Na sala de depósito em cinco minutos. É urgente!”
“OK.”
Ele entrou na sala e ela estava esperando. Hiryu já estava com a sua roupa de Romeu.
–Bom dia, Chi-chan. O que quer falar comigo?
–Bom dia, Romeu. - e riu – Eu queria te entregar isso aqui!
–Uma pistola?
–Eu já tenho uma e vai precisar também. Guarde ela em uma lugar seguro e que ninguém veja. Qualquer coisa eu tenho mais munição.
–É só isso? - ele indagou
–Então já vou! - ele ia sair, mas se lembrou de dar um beijo em Chikayo
–Eu deixei?! - vociferou e depois de respirar fundo, disse - Tem mais uma coisa: Fique de olhos e ouvidos abertos. Atente-se a qualquer movimento estranho.
–Tudo bem! Bom festival para você.
–Para você também, Hiryu-kun!
A garota deu um tempo e saiu depois para que não percebessem nada. Ela estava com um medo de descobrirem que ela saia com Shinto, mas tomou todas as precauções imagináveis. O pessoal tapado da escola não tinha percebido nada!
***
Quando deu o horário, os portões da escola se abriram e uma enorme quantidade de pessoas começou a adentrar ao Colégio Sakura. Além de possíveis futuros alunos, haviam pais, ex-alunos, amigos e parentes do alunos e dos funcionários. Esses vários se espalharam por entre as barracas no pátio, o prédio e as salas do colégio.
Hiryu escondeu a sua pistola num dos cantos da sala e que ficava atrás do palco que fizeram. Ele se preparava para a primeira das duas apresentações que faria naquele dia. Podia-se ouvir do lado de fora um dos seus colegas de classe anunciando que a peça logo começaria. Muitas das alunas que estavam em momento vago entraram para assistir o menino mais popular em um papel principal. Chikayo Asai era uma dessas. Sua parte no festival ainda estava em período de inscrições, só começaria dali algumas horas, decidiu então assistir a peça. Se sentou no fundo e ninguém, exceto Hiryu, percebeu-a ali. Que bom! Teria sossego.
Alguns minutos se passaram e finalmente começara. As meninas estavam loucas ao ver Shinto naquela roupa em estilo medieval. Todas estavam atentas a história, mesmo que ela já fosse batida. Asai e os garotos presentes eram os únicos que viam a peça como um todo. Ela ficou surpresa em como uma peça tão pouco ensaiada podia ficar tão boa. “Eles se esforçaram bastante”, pensou.
A peça durou pouco mais de quarenta minutos. Na saída, os atores, na porta, se despediam dos espectadores. Cada vez que Hiryu cumprimentava alguma menina eram risos e mais risos. Asai foi a última. Todos os atores ficaram perplexos, exceto Hiryu, que se despediu dela normalmente. Um amigo dele comentou:
–Cara, o que foi isso?
–Isso o quê?
–Chikayo Asai assistiu a nossa peça e você acha normal?
–Acho! Algum problema? Ela pode só gostar de Romeu de Julieta.
–Isso me lembro o que eu falei outro dia: Esse ódio todo é amor.
–Ô as ideia em, Misaki. - ironizou o rapaz – Deixa eu ir para o meu irtervalo.
Shinto saiu da sala e resolveu seguir Asai. A garota em uma outra sala naquele mesmo corredor, era de algumas dela que fizeram um karaokê. A menina adentrou ao local e as amigas a receberam:
–Chi-chan, que bom que veio aqui! Vai cantar?
–Ah, meninas, vocês sabem que eu sou péssima.
–Aqui ninguém é bom também. Vai lá dar uma arranhadas. Divirta-se!
As amigas a sacudiram em forma de insistência. Ela argumentou não ter roupa adequada, mas tinha alguns acessórios para colocar por cima. Tinha uma pessoa cantando e a garota foi se vestir.
Hiryu entrou na sala e ficou escondido em um canto. Chikayo se vestiu e subiu ao palco em seguida. Era uma máquina de karaokê como qualquer outra. Asai foi passando a lista de músicas e de repente o seu olhar brilhou e ela comentou:
–Não acredito que tem essa música.
–Qual, Chi-chan?
–Aoi Haru do Angela.
–Vai na fé! - falou a outra amiga – Perfeita para a ocasião!
Um burburinho no corredor fez a sala se encher... De garotos. Uma das mais populares iria cantar. Ela respirou fundo, nervosa. Olhou para um canto isolado da sala, onde estava Hiryu, o garoto lhe sorriu. Foi o que precisava para tomar coragem!
Não seria necessário olhar para a tela, sabia a letra de cor. Ela deu enter e a música começou a tocar.
Cantou os primeiros versos:
“Ha! yada asa da
Hii! ima nanji?”
Chikayo estava totalmente caracterizada com uma cantora de anisongs. Ela colocou um chapéu, um colete preto e uma saia com bastante volume. Ninguém dizia que ela estava com uma roupa de ginástica por baixo. Ela estava conectada a música e dando um show, a sala encheu bem mais durante a sua performance. Ao final, todos aplaudiram. A garota agradeceu!
Ao ela sair da sala, Hiryu falou com ela:
–Parabéns, Asai-san! Você cantou muito bem!
–Eu só fiz o meu melhor, garoto. Mas eu agradeço!
–Se eu pudesse, participaria do seu torneio esportivo. Mas o Romeu aqui não pode suar!
–Julieta não gosta né? - riu – Alias, a peça está muito boa. Meus parabéns também, idiota. Agora eu tenho que ir!
Alguns ao redor estranharam aquela conversa. Ela só fora irônica, não explosiva.
Chikayo voltou para a quadra de esportes, as competições logo começariam. Outros colegas foram chamando as pessoas pelo festival. Logo, todos que competiriam estavam lá.
Começaram pela competição de corrida, alterando as metragens. Depois fizeram queimado. Após outra modalidade, deram uma pausa.
Chikayo foi comer alguma coisa e encontrou com Hiryu de novo. Eles estavam com vontade de namorar um pouco, foram para um canto mais reservado. Trocaram alguns beijos e carícias e tiveram que se separar depois. Chikayo voltou a quadra e Hiryu ficou a olhar a confusão do festival na janela do segundo andar. E uma coisa lhe chamou atenção! Yuki Oouchi passeava em meio a multidão e tinha um cara vestido com camisa social e calça preta, que parecia que a seguia. A menina foi para um canto mais afastado. O homem pegou-a pelo braço com força e puxou. Ele não era estranho para Shinto. A garota pareceu reclamar com ele e tentar tirar o seu braço, mas foi ai em que ele puxou uma arma e apontou para o rosto dela.
“Caralho! É o Ryouta Matsumura. Tenho que avisá-la e detê-lo.” Pensou Hiryu.
O rapaz correu a sua sala, pegou a sua pistola e correu atrás de Chikayo. Ela estava ao redor dos amigos e colegas quando Hiryu apareceu e falou:
–Chikayo!
–Hiryu Shinto? Chamando-a assim? - comentou uma das meninas
–O que você quer, garoto? - Asai mantinha a postura
–Nós temos um problema e dos grandes. A Yuki... O Ryouta tá aqui e pegou ela.
O semblante da agente mudou e os outros boiavam. Ela pegou sua pistola na bolsa e sem se importar com o que os outros achavam, apenas completou:
–Vamos! Você não o perdeu de vista, né?
–Bom! Ele estava no meio da multidão perto do prédio da escola.
E os dois saíram correndo em direção ao pátio com as barracas. Os que ficaram conversavam entre si:
–Mas o que foi isso? - disse um, gesticulando
–Hiryu e Chikayo, quem diria? Nunca pensei que eles fossem trocar palavras desse jeito.
–Mas o que a Yuki tem a ver com isso?
–Gente, ela pegou uma arma e ele também tinha uma!
–O que eles fariam com aquilo? Temos que avisar ao diretor e aos professores.
Depressa, os alunos foram fazer isso.
Chikayo e Hiryu estavam no meio da multidão e não faziam a mínima ideia de onde estariam Ryouta e Yuki.
–Você tinha que ter me ligado ou mandado uma mensagem, não ter ido falar comigo! Acabou perdendo-os de vista e me colocando em uma situação estranha com meus colegas. Idiota!
–Esse é menor dos nossos problemas agora. A roupa dele é um camisa branca e calça preta, não é tão difícil de achar.
Vasculharam por um tempo e conseguiram ver. Ele estava a caminho da saída da escola. Os dois passavam e atropelavam as pessoas que estavam ali para alcança Matsumura o mais rápido que podiam. Muitos acharam falta de educação, porém era uma coisa urgente.
Quase conseguindo alcançá-lo e detê-lo, quando... Uma corrente de alunos e professores se fez diante deles, interrompendo-os. O diretor começou:
–Hiryu Shinto. Chikayo Asai. Dois alunos exemplares. Por que estão com armas no colégio? Ainda mais no dia do festival.
–Diretor, não temos para isso agora! É uma coisa importante! - gritou Asai, desesperada por ver Ryouta se afastar mais e mais.
–Não fale assim com o diretor, Asai. Não é de seu direito. - Falou um professor
Hiryu mantinha-se quieto até o momento, intercalava seu olhar entre a roda e o lado de fora.
–Ande, deem as armas. Vão tomar as devidas punições! - mandou o diretor
A reação de Shinto foi correr, atravessar o bloqueio humano, ir atrás de Ryouta e pular em suas costas. Por sorte, o ex-político estava na calçada da escola. Os outros, nada compreenderam. A agente correu atrás dele.
–Espera! Aquela não é Yuki Oouchi? - falou uma professora
–É ela sim! Será que tem alguma relação com o que aconteceu na casa dela?
E então, foram para a confusão também.
Matsumura foi derrubado com o pulo de Shinto nele. Yuki caiu para o outro lado, estava amarrada. Hiryu se embolou com Ryouta por uns segundos. O garoto foi empurrado e sem poder se defender, recebeu um tiro certeiro na barriga.
–Hiryu-kun! - gritou Chikayo
O criminoso distraiu-se com a voz dela. Foi o suficiente para que Shinto mirar e acertar um tiro na coxa de Matsumura, que devolveu com mais um no ombro do rapaz. Ryouta se ajoelhou, sentindo a dor do tiro. Os capangas vieram ao seu socorro e para pegar a garota, eles eram dois. O popular iria ganhar mais uma bala antes de fugirem.
Chikayo fez a sua jogada! Atirou na mão de Ryouta. Seu grito de dor ecoou pela rua. Depois, ela debilitou os dois capangas sem muitas dificuldades. Afinal, estavam desarmados. Um carro do serviço secreto do governo parado na rua. A porta dele se abriu e saíram de lá dois agentes e o chefe de Asai: Shouta. Trataram de conter e prender Ryouta e os dois capangas. Enquanto isso, Chikayo foi ver como estava Hiryu.
–Hiryu-kun, vocês está bem?
–Estou sim, minha tsundere. Só machucado. - Respondeu com a voz fraca
Ela pousou a mão sobre o rosto dele. A troca de olhares indicou um “vai ficar tudo bem” e Shinto desmaiou. Chikayo gritou por socorro! Havia uma ambulância em frente a escola, apenas por precaução. Os médicos e enfermeiros vieram depressa, puseram o garoto em uma maca e o colocaram na ambulância. Permitiram que Chikayo o acompanhasse. Shouta também foi.
No caminho, Shouta pede uma explicação:
–Chikayo, quem é esse garoto? Como ele está metido nessa história?!
–É um amigo meu: Hiryu Shinto Ele me viu quando fui a casa do Ryouta e entendeu tudo errado. Ele ameaçou contar uma mentira para toda a escola caso não lhe disesse a verdade. Então, eu contei para ele!
–Simplesmente contou? Tem noção de como isso é perigoso?
–Eu não tive muita escolha. Desculpa! - abaixou a cabeça – E para não contar a escola que era agente, fizemos uma acordo: Saia com ele e ele me ajudava nessa missão.
–Entendo! - suspirou – Não sei o que fazer em relação a você, terei que falar com o seu pai.
O resto do caminho seguiu quieto.
***
Hiryu foi submetido a uma cirurgia para tirar as balas e parar os sangramentos.
Shouta ligou para o pai de Chikayo: Akisame. Ele veio urgente e deu um sermão na filha. A menina ficou muito chateada. Akisame tinha tempo para ser o superior e agente chato, mas não tinha o mesmo para ser apenas o pai dela.
–Você tem ideia do que fez, mocinha? Colocou um civil em risco.
–Foi ele quem quis me ajudar. Não é de todo minha culpa.
–Sendo uma agente, tem que saber manter todos os seus planos em segredo. Você é uma principiante nisso!
No final, Akisame disse:
–Vou deixar que o Shouta decida o que fazer com vocês dois. Apesar de todo esse problema, você fez um bom trabalho!
Ela agradeceu.
Alguns minutos depois, soube que a operação de Hiryu foi bem sucedida e ele acordaria em poucas horas. Nayumi e Naoki apareceram apenas para ver se estava tudo bem e trazer roupas limpas para a agente. A garota ficou no quarto, sentada ao lado da cama, esperando-o acordar. Eram horas em uma eterna solidão. Era terrível ver ele estirado na cama, imóvel. Em certo momento, ela viu a testa dele franzir e os olhos abrirem devagar. A primeira coisa que viu foi Asai.
–Onde estamos, tsundere?
–No hospital, Hiryu-kun!
–Ah é! Eu levei tiros. E você, como está?
–Eu estou bem! - sorriu – Está dolorido?
–Um pouco, mas eu aguento.
Shouta assustou os dois entrando no recinto.
–Boa noite!
–Quem é você? - indagou Shinto
–Eu sou Shouta, chefe da agente Asai.
–O famoso Shouta.
–Vim trazer notícias do caso de vocês. Ryouta Matsumura e seus subordinados estão no hospital também. Quando se recuperarem, irão direto para a prisão. Yuki Oouchi, colega de vocês, está bem. Ela pediu para agradecer por a terem salvo!
–Então, no fim, acabou tudo bem? - perguntou Chikayo
–Mais ou menos. Tivemos um civil ferido... - e apontou para o garoto – que fez um ótimo trabalho. Hiryu Shinto, você gostaria de ser um agente do governo?
–Claro!
–Seja bem-vindo então! Poderá começar quando se recuperar dos ferimentos. Eu serei seu chefe e Asai, a sua parceira. - eles apertaram as mãos – Estou de saída. Até!
Os jovens ficaram a sós de novo.
–Chikayo, tenho uma pergunta: Você quer ser a minha tsundere? Quer dizer... Namorada?
–Claro que sim, Hiryu-kun!
Hiryu e Chikayo se beijaram, de uma maneira completamente diferente. Afinal, agora eram oficialmente um casal.
***
Algumas semanas depois, Chikayo e Hiryu estavam em missão. Realizando o resgate de algumas pessoas que foram feitas reféns. Estavam atrás da porta onde estavam as pessoas e os raptores.
–Do jeito que eu te ensinei, Hiryu-kun!
–Eu sei! - Olhou firme para ela – Pronta?
Ela assentiu. Hiryu abriu a porta com um chute.
FIM

Capítulo 4 - Preparativos para o festival

–Que tá fazendo?
–Eu tô mirando essa merda, não vê?
–Vejo! Se fosse em situação real, já estaria com o meu tão sonhado teco na sua testa. Não se importe muito em fazer certinho. É só um treino. Mete bala nessa porra!
O garoto deu uma miradinha básica e puxou o gatilho, oito vezes. Depois, fez a mesma coisa com uma mão só.
–Está bom! Acertou dez tiros de dezesseis e a maioria foi no tórax.
–E o que fazemos agora? - perguntou tirando os fones
–Vamos para a arena! - falou com um certo brilho nos olhos
Voltaram ao balcão e trocaram as pistolas e protetores por todo um arsenal para o paintball. Foram em direção a entrada do local. Tinham mais alguns aglomerados ali, esperando a sua vez. Cada grupo de vinte pessoas ficava lá por quinze minutos, divididos em dois times.
Durante a divisão, acabaram em times diferentes. Hiryu sentiu uma ponta de medo.
"Agora que ela vai me meter o teco no meio da testa." Pensou.
Todos entraram juntos, montaram rapidamente um plano de ação em grupo, seguido do tocar de uma sirene, que dizia “Começar!”. Foi uma correria e uma agitação. Todos se esconderam! Passaram alguns segundos até o primeiro tiro, depois deste começaram todos os outros.
As bolas de tinta simulam tiros reais e ao marcarem a pessoa servem para dizer se ela está ferida levemente, gravemente ou morreu. É uma enorme simulação de combate real. Só que tem umas regras. Existe um contador de mortes, onde você vai e marca o número de vezes. Basta marcar e pode retornar. O time que tiver menos mortes ganha!
Hiryu havia aprendido um básico e conseguia fazer alguns ferimentos nos adversários. Também se escondia muito bem, ele estava praticamente intacto. Só que não contava que Chikayo o pegaria por trás. Ele escutei um tiro e sentiu a batida nas costas. Com aquela mancha, ele estava morto. Se virou para ver quem era:
–Porra, Chikayo!
–Você que deu mole, idiota! - falou ironizando
–Espere e vai ver só.
–Que medo! - falou rindo
Depois do tempo, Hiryu saiu direto atrás da garota. Era como se estivesse em uma guerra. Passou correndo no meio do “tintoteio”, gritando que nem um louco, o que ensurdeceu os outros. Achou Chikayo e “sentou o dedo” no rifle, foram três certeiros no peito da garota. E então, falou:
–A vingança é sorvete, Chikayo! Te pago um na saída.
–Ridículo! Filho da puta! - ela esbravejou – Aguarde! O que é teu tá guardado.
E todo o resto do jogo foi uma eterna briga entre os dois para ver quem matava mais um ao outro.
–Mas que caralhos?! - comentou um – Esses dois!
Passados os quinze minutos, o time de Hiryu ganhou. Chikayo saiu de meio chateada por ter perdido e estar bastante dolorida. O garoto percebeu isso e lhe deu um abraço.
Revezaram entre o campo de tiros e a arena de paintball. Era tão divertido que eles não viram a hora passar! Saíram de lá apenas quando se cansaram.
No caminho conversavam:
–Então, Hiryu-kun, gostou?
–Apesar de dolorido, gostei bastante.
Ela sorriu para ele e pegou o celular, acabou dando um susto em Shinto.
–Oh, cacete! São quase 23hrs. Minha mãe vai me matar de eu voltar tão tarde. Vai ficar falando que a rua é perigosa para se voltar essa hora... Bla bla bla! Que saco!
–Tenho uma solução mais simples: Minha casa é aqui perto, por que você não dorme lá?
–E dar uma chance gratuita para você me estuprar? Não, obrigada!
–Quem disse que eu vou fazer isso? Prefere ouvir sua mãe reclamando de ter chegado tarde ou ligar para ela e dizer que vai dormir lá em casa?
–Ela me mataria, sem dúvidas! Alias, você pode me levar.
–E voltar sozinho depois? Tenta vai. - falou ele, quase implorando
Chikayo então ligou para a mãe, disse que estava muito longe de casa e que por conta de se manter em segurança perguntou se poderia dormir na casa de Hiryu e retornaria no dia seguinte. A mãe, que sabia quem era a pessoa em questão e também queria que a filha engatasse um relacionamento, permitiu. Sem maiores problemas! Só recomendou que ela se cuidasse e usasse camisinha.
Demoraram dez minutos para chegar no prédio onde Hiryu morava. Subiram ao apartamento no décimo andar. Ele era bem simples, tinha uma cozinha e um balcão separava ela da sala. Também tinha um banheiro e um quarto. Considerando que o garoto morava sozinho, era bem grande.
–Seja bem-vinda a minha humilde residência. - falou sorrindo – Vai querer uma roupa emprestada? Ou vai dormir assim mesmo?
–Sim, quero! Mas, se não for incômodo, posso tomar um banho?
–Eu pego uma toalha também. - e saiu
Chikayo achou a reação dele engraçada. Mesmo a ideia dela ir para lá sendo dele, ainda mostrava-se um pouco encabulado. A garota tomou uma ducha rápida. Ela tinha suado e não gostava de ir dormir assim. A roupa que ele a emprestou era uma camisa, mas que nela ficava como um vestido. Nem reclamou sobre isso! Depois foi o garoto quem tomou um banho. Ela ficou sentada no sofá esperando ele acabar.
–Onde eu posso dormir? - ela indagou
–No meu quarto. Eu durmo aqui na sala.
–Nada disso! Eu sou visita, não mereço essas mordomias.
–Eu faço questão. Não ligo de dormir no sofá uma noite só, é até bem confortável.
–Tá bom, Hiryu-kun! Não vou insistir com você.
O garoto rapidamente arrumou a cama para ela e pegou um travesseiro e um cobertor, levou-os para a sala.
–Boa noite, Hiryu-kun! - ela falou virando para o quarto
–Não vai me dar um beijo de boa noite não? - ele falou rindo
–Você...!
–Prometo que vai ser só um beijo. - estava com o rosto próximo do dela, a menina envergonhou-se – Não vou te levar para o quarto, nem te estuprar e nem coisa parecida.
Hiryu agarrou Chikayo pela cintura e tocou em seus lábios. Foi um beijo semelhante ao da frente da casa dela. Os dois estavam concentrados e unidos no beijo. Chikayo, que geralmente ficava com as mãos paradas, levou-as até a nuca de Hiryu e agarrou os seus cabelos. Nenhum dos dois queria que acabasse, ambos prolongaram os movimentos e as carícias. Os lábios se separaram com um estalo e dois sorrisos bobos. Trocaram um último olhar antes de irem para sentidos opostos.
Os dois demoraram um bocado para adormecer, os corações ainda estavam palpitantes pelo que acabara de acontecer. Ambos dormiram como anjinhos.
***
Chikayo acordou por causa do barulho e da luz que entrava pela janela, incomodando-a. Ela se levantou e andou um pouco pelo corredor até chegar na sala. Hiryu estava do outro lado do balcão, na cozinha, preparando algo. Ela resolve finalmente falar:
–Bom dia, Hiryu-kun!
–Ah, bom dia, Chikayo. Dormiste bem?
–Que bom! Vamos comer, então te levo em casa, tudo bem?
–Claro.
Ela se sentou num dos banquinhos que ficavam em frente ao balcão e ficou observando o menino fazer o café da manhã deles. Logo acabou e serviu uma comida tradicional japonesa: Arroz, Missoshiru, peixe cozido e chá. Sentou ao lado dela no balcão e ele comiam.
–Que delícia, Hiryu-kun!
–Obrigado!
E de repente, Chikayo é surpreendida por um beijo de Hiryu na sua bochecha. Ela esticou o braço para bater nele, contudo ele segurou.
–Por que vai me bater de novo? - indagou
–Porque eu quero, garoto!
–Mas não vai.
Ele puxou-a para um outro beijo, na boca desta vez. O acontecera na noite anterior se repetira.
–Acalmou agora, Tsundere? - falou brincando
–Para com isso! Ridículo!
Terminaram de comer e Hiryu levou a menina para casa. E como estava claro do lado de fora, não puderam dar o “beijo de despedida” que ele tanto queria. Nayumi, ao ver a filha chegar falou:
–E ai, como que foi?
–O que, mãe?
–A noite de vocês?
–Eu não transei com ele, mãe. Enlouqueceu?
–Sei lá ué. Num dos primeiros dias, o garoto te leva na casa dele.
–Você que deixou. Esqueceu?
–Não. Mas antes você lá com ele do que aquela hora na rua sozinha.
Chikayo sorriu. Sua mãe realmente não era como as outras.
***
O final de semana passou bem rápido. Chikayo e Hiryu treinaram um pouco mais nesse meio tempo. Na segunda seguinte, todos os alunos adentravam ao Colégio Sakura para mais uma semana de aulas desgastantes. Porém, esta seria mais curta. A sexta-feira seria livre para arrumarem tudo para o festival.
Chikayo entrou na sala, como todos os dias, e percebeu uma movimentação estranha. Muita gente rodeava Yuki Oouchi. A agente se aproximou e percebeu que a garota “moe e kawaii” estava visualmente abatida e chorando. Ninguém tinha coragem de perguntar o que acontecera, apenas a consolavam.
O telefone de Asai tocou e ela correu para atender, afinal, o número indicado era do seu chefe. Então, ao atender, Shouta falou:
–Agente Asai, bom dia! Desculpe ligar tão cedo, mas é urgente.
–Diga o que é então!
–Aconteceu um ataque na casa de Toshinori Oouchi ontem à noite. Por muito pouco, e graças aos agentes de prontidão, Yuki não foi levada. Eles invadiram a casa e chegaram a desacordá-la.
–Por isso que ela está meio... Abalada.
Nesse momento, Yuki passou pelo corredor e se encontrou com Shinto, que pareceu puxar assunto com ela.
–Asai-san, aumente a sua atenção. O próximo lugar possível para o rapto é a escola. - completou o chefe
–Tudo bem, Shouta. Ficarei mais alerta!
E desligou. Yuki voltou à sala se sentindo bem melhor.
As aulas da manhã acabaram e veio o almoço. Chikayo foi novamente até a sala de depósito para falar com seu parceiro. Queria contar do ocorrido. Ao ouvir o som da porta, o garoto falou:
–Eu já sei que a casa dela foi invadida. Alias, com mais detalhes do que você.
–Custa me cumprimentar? - sentou-se do lado dele - Conta para mim!
–Ela estava se arrumando para dormir quando ouviu um barulho estranho. Ao se virar, um agarrou-a pelas costas e ela gritou, o mais alto que pode, pedindo socorro! Outro desacordou-a. Quando deu por si, tinham mais dois batendo nesses primeiros. Então, o pai apareceu para ver o que houve. Depois, explicaram para ela o que acontecia.
–Então, ela sabe que estão querendo raptá-la?
–Sim! Os dois agentes e o pai falaram. - suspirou e depois falou, parecendo que lia os pensamentos - E não, ela não sabe sobre nós.
Um breve silêncio se fez. Eles apenas se olhavam. Hiryu tentava entender o porquê de Chikayo estar parada. Ela tentava controlar um impulso de beijá-lo. Tudo isso porque eles tinham ficado no dia anterior. A garota já estava confusa em relação a ele.
–Que foi, Chi-chan? - ele indagou
–Nada! - falou mordendo os lábios
Ela não conseguiu se controlar. Se atirou nos lábios dele e o garoto correspondeu. Trocaram algumas carícias e beijos por uns cinco minutos.
–Desculpa por isso, Hiryu-kun! - ela comentou, se levantando para sair
–Não precisa falar essas coisas, minha tsundere. - ele deu de chamá-la assim
–Já falei para não me chamar assim! - disse em um tom mais brando que o habitual
–Não consigo evitar! - e sorriu
–Te vejo mais tarde?
–Obviamente!
E a garota saiu. Ainda martelava na sua cabeça o que a levava a fazer aquilo tudo. Afinal, ela não odiava Hiryu Shinto?
***
A semana se passou rapidamente. Era o dia da arrumação da escola para o festival. Todos estavam de empenhando bastante para satisfazerem os responsáveis do Colégio Sakura. Aquele dia na escola se tornou um grande dia de faxina e arrumação. Eram cadeiras sendo arrastadas para os corredores, pessoas terminando de costurar os figurinos, instrumentos sendo afinados, medalhas e troféus sendo organizados, barracas de comida armadas, outras coisas mais. As turmas que tinham mais trabalham eram que as tinham alguma apresentação, seja de música ou dança.
Hiryu ensaiara a semana toda e estava novamente naquela tarde. Chikayo aproveitou para se exercitar um pouco, a classe dela arrumou tudo bem rápido. A competição que fariam também teriam roupas apropriadas para poder participar, caso as pessoas viessem com uma que não fosse confortável para tal.
Durante um dos intervalos do “Super ensaio”, Hiryu olhava a quadra do colégio pela janela. Pode ver admirar Chikayo correndo na pista. Seus cabelos ruivos presos por um rabo de cavalo. Ela se tornou o seu único motivo dele querer ficar no Japão.
Chikayo conseguiu vê-lo na janela e acenou. Ele respondeu. Os que estavam ao redor dela atentaram-se, porém Hiryu já tinha saído de lá, tinha que continuar o ensaio.
A menina saiu mais cedo que ele, passou por sua sala e o viu praticando as falas com a outra atriz novamente. Escreveu uma mensagem para ele:
“Te vejo no Sushi? Se não for demorar muito.”
Ele demorou um pouco para responder:
“Me espera lá na frente.”
Hiryu arrumou sua mochila, se despediu de todos. Quando estava indo para o portão, Yuki Oouchi chamou-o:
–Shinto-kun! Agradeço por ter conversado comigo hoje, eu estava precisando.
–Por nada, Oouchi-san. Sempre que precisar, pode conversar comigo. Agora tenho que ir!
Ele saiu e se encontrou com Chikayo onde combinaram. Eles conversaram e se divertiram bastante. Depois, Shinto levou Asai para casa.
–Adeus, Hiryu-kun! Amanhã é o grande dia.
–Pois é! - e riu – Boa sorte para nós!
Ele deu um selinho de despedida nela, que por ser pega de surpresa, recebeu um empurrão.
–Você não muda, não é?
–Me deixa, garoto!
Um acenou para o outro. Chikayo entrou e Hiryu pegou o caminho do seu apartamento.
O dia seguinte seria o dia do festival e possivelmente o dia mais agitado da escola, em um outro sentido.