segunda-feira, 12 de maio de 2014

Capítulo 18 - Mudança de regras

Acabei dormindo um pouco demais. Foi Kazuko quem me acordou. Ela já tinha preparado a comida e me esperava até aquele momento. Parecia um zumbi caminhando para lavar o rosto. Joguei água gelada e foi então que eu realmente despertei. Dirigi-me a sala de jantar e comi junto a minha esposa. Ajudei-a a recolher e arrumar tudo quando acabamos. E por ser um final de semana, e eu ter terminado todo o meu trabalho, fui ficar de bobeira no sofá com Kazuko e Takumi.
Peguei um filme antigo para assitir. Divertimo-nos bastante!
Em seguida, fui ao quarto e peguei o diário, voltei à sala. Como sempre, Kazuko não reclamou. Observei que meu filho adormecera. Abri o diário e continuei de onde parara.
Querido diário,
hoje é segunda. Makoto não me deixou em paz o fim de semana inteiro. Só posso dizer que ele está muito chato com a minha gravidez. Eu não posso fazer mais nada. Ele acha que eu não posso fazer nenhum esforço. Eu não estou doente, só estou grávida. Não quer dizer que eu tenha que ficar nove meses numa cama, apenas vendo a barriga crescer e esperando a hora do parto. Que pensamento medieval! Isso está me irritando!
Levantei no sábado, no meu quarto, e fui vomitar. Makoto, pelo visto, ouviu o som e correu ao meu socorro. Quando acabou a crise, ele indagou:
-Tá melhor?
-Um pouco! Eu queria comer alguma coisa, mas não sei se vou conseguir.
-Eu faço algo para você.
Consegui, com muito esforço, comer algumas frutas e beber um copo de leite. Depois peguei o livro que estou lendo na biblioteca e retornei para meu quarto. Li uns três capítulos e olhei para o relógio, percebi que era hora de preparar o almoço. Levantei e fui à cozinha. Chegando lá, me surpreendi. Makoto cozinhava e estava com o pano no ombro e tudo mais. Tive de perguntar:
-Que tá fazendo, Makoto?
-O almoço, não vê?
-Achei que essa fosse a minha função.
-Com sua atual condição, nem pensar.
Acabei fazendo uma careta querendo dizer “Mas que merda é essa?”. Ele prosseguiu, então:
-Já tô quase acabando, me espere na sala. Afinal temos coisas a falar.
-Sobre o quê?
-A sua gravidez!
-Ah, sim. Tudo bem!
Fui para a sala e fiquei vendo qualquer coisa. Nem prestava muita atenção. Meu humor estava péssimo! Passados alguns minutos, Makoto sentou-se ao meu lado. Pelo jeito já notei que queria conversar. Desliguei a televisão e ele começou:
-Kazuko, a sua atual condição implica em novas regras.
-Quais são?
-Deve dormir, todos os dias, no meu quarto, independente se fizermos algo ou não; Não deve fazer esforço e nenhum serviço doméstico; Vai fazer uma dieta, comendo apenas o que for prescrito; Não deve ficar muito tempo sozinha, pode te acontecer algo e não ter como pedir socorro.
-Entendi, Makoto.
-Ok! Venha, vamos comer.
Ele não citara nenhuma regra quanto as nossas transas. Eu não posso lavar um copo, mas ficar pulando em cima dele está tudo ótimo.
Para alguns, essas regras podem não ser nada demais. Só que considerando todas as circunstâncias, eu estou mais escravizada ainda. Já tinha pouca liberdade e perdi apenas este pouco.”
Realmente fui meio radical com as regras, porém foi por cautela. Não queria que ela abortasse por conta de esforço. Sabia bem que Kazuko ajudava Keiko nas tarefas, e bastante até. Pelo tamanho da casa, era algo desgastante. Cortei completamente, mas sabendo que ela ia contrariar e pegar numa vassoura, pelo menos.
Em relação ao que interessa: não ficaria por nove meses na seca. Deixaria ela mais passiva nessa época, fazendo só para me “descarregar”.
Agora entende por que estou tão irritada?
Eu carrego o filho de uma pessoa que não conheço muito bem. Ela é minha dona e me aprisionou uns meses atrás ao me tornar sua escrava. Agora, com o bebê, estou mais presa ainda. Por ele e a ele!
Nos últimos meses, meu corpo não pertencia mais a mim. Minha liberdade não me pertencia.
Se antes não tinha importância alguma, agora menos ainda. Tudo o que eu fizer ou deixar de fazer será por conta desta ervilha dentro de mim. Chega a ser engraçado! Essa coisinha é bem mais importante do que eu. Não a culpo, mas as coisas não estariam assim se o resultado fosse negativo.”
Não fazia ideia que ela rejeitava a criança nesse início. Deve ter sido assim, pois foi tão de repente. Decidi questioná-la:
-Kazuko, eu li aqui uma coisa... Você não gostava daquele bebê no início?
Ela entendeu perfeitamente o que queria dizer e respondeu:
-Ele tomou o pouco de mim que eu tinha, no caso, quando você saía de casa. Mesmo com você fora, o bebê estava ali para me lembrar que eu não era dona de mim, nem um pouco mais. Minha vida girava em torno de você e não gostava disso.
Kazuko permitiu que uma lágrima caísse.
-Desculpe, Makoto! - falou chorosa – Não queria que soubesse disso. Eu não odiava nosso filho.
Nada comentei. Apenas abracei-a e fiquei ali, junto dela, até se acalmar. Com ela ainda pendurada no meu pescoço, prossegui a leitura.
Nada demais aconteceu naquele dia. Apenas dormi no quarto de Makoto pela primeira vez.
No dia seguinte, acordei passando mal outra vez. Eu já estou me acostumando com isso. Makoto acordou, meio irritado e gritou:
-Isso não acaba nunca?! Quando que você vai melhorar destes enjoos?
Levantei e parei em frente a porta do banheiro. Respondi em igual tom:
-Se você, que só escuta, já tá puto! Imagine eu, que estou me sentindo assim todo dia e o dia inteiro?!
-Não fale desse jeito comigo. - falou vindo em minha direção e agarrando o meu braço
-Desculpe, Makoto. É que... Você falou com irritação e seu tom me deixou assim também. De certa forma, não é minha culpa. Não posso controlar.
-Eu é que peço desculpas, Kazuko. - ele suspirou e colocou a mão no próprio rosto – É chato ser acordado por esse barulho. - Abraçou-me – O que se pode fazer é esperar, né?
-Até o meu corpo acostumar.
Empurrei Makoto na sequência. Eu tive que “botar para fora” de novo. E uma coisa estranha, muito estranha, aconteceu. Notei que Makoto se abaixou ao meu lado e ficou acariciando as minhas costas. Foi a primeira sensação boa disso tudo.”
Nesse episódio, observei-a com um pouco de pena. Aquela adolescente (ela tinha dezessete anos) que foi comprada por mim e já tinha passado por um bocado de coisas comigo, agora carregava um filho que não queria. Sofria por ter nascido pobre e sofria mais com essa nova situação.
Resolvi aplicar meu princípio: tratá-la bem. Dava para ver, no jeito que se comportava, que ela não estava satisfeita. Decidi tornar aquilo o melhor possível para ela. Inclusive, não fazer com ela. Não morreria por falta de sexo.
O dia passou com Makoto sendo uma espécie de servo para mim. Pressentia que ele iria pedir alguma coisa. Contudo, ele apenas se deitou e virou. Eu me senti obrigada a abordá-lo:
-Makoto! - cutuquei-o
-Kazuko, vai dormir!
-Você não vai querer nada não?
-Não. Tô sem vontade!
-Agora quem quer sou eu!
Puxei-o, tirei a coberta e sua cueca. Comecei a fazer um oral nele e com muita vontade. Engolia tudo, lambia e chupava. Era ironia ouvir os pedidos contra de Makoto e os gemidos, à favor.
-Kazuko... Não! - e suspirava
Ele realmente não aparentava estar com vontade. Quando digo ele, me refiro ao pênis do Makoto. (risos) Bastou o meu estímulo e ele ficou preparado. Makoto desistiu de me contrariar. Ameaçou se levantar, mas eu pus a mão e o coloquei de volta.
Subi nele e me ajeitei até o que pênis estivesse totalmente em mim. Comecei o movimento de sobe-desce, apoiando com as mãos no peito dele. Fazia um movimento lento que parecia excitá-lo. Nossas respirações ainda estavam lentas e sincronizadas, de certa forma. Aumentava gradativamente o movimento. Nossas respirações também. O momento de auge de Makoto se aproximava, sentia a pulsação. Ele colocou as mãos em meus seios, ficou apertando e acariciando, enquanto eu não parava. No fim, Makoto soltou um suspiro de alívio, e eu percebi algo quente me encher.
Fui para o lado vazio da cama e comentei:
-Viu? Um esforcinho não faz acontecer nada. Só não fazer na frequência de antes.
Makoto sorriu, me desejou boa noite e se virou novamente.
Hoje de manhã, acordei vomitando de novo. Makoto fez carinho nas minhas costas, só isso. Não reclamou e nem falou nada.
Ele também contou a Keiko que estou grávida. Ela ficou muito feliz e me abraçou e parabenizou Makoto.
Logo ele saiu para o trabalho. Fiquei aliviada. Prefiro ter a Keiko no meu pé, gosto mais da companhia dela.
Agora eu irei. Vou contrariar a regra de Makoto um pouco. (risos)
Acha mesmo que eu ficar sem fazer nada?”
Fechei o diário.

Kazuko, ainda pendurada em mim, me abraçou. Depois disso, nós namoramos um pouquinho.