quarta-feira, 30 de julho de 2014

Capítulo 20 - Coisas para o bebê

Cheguei do trabalho uma meia-hora depois. Tomei uma ducha rápida e jantei. Keiko foi embora em seguida. Kazuko me deixou tomando conta de Takumi enquanto se arrumava para mim. (risos) Nosso quarto é suíte, então ela estava no cômodo ao lado.
Eu brincava com Takumi, que ria sem parar. Logo ele fará uns seis meses. Ainda me lembro bem do dia em que ele nasceu e como eu me senti. Era o homem mais feliz do mundo, sorrindo que nem bobo por conta de uma pessoa tão pequena. Takumi não é aquele tipo de bebê que chora por qualquer coisa. Poucas vezes ele nos acordou de madrugada ou adoeceu. Cada dia mais ele cresce e se parece mais comigo.
Logo Kazuko saiu, pôs Takumi para dormir e nós fomos nos divertir um pouco. Ainda era cedo quando acabamos, provavelmente teria um segundo round. Enquanto descansávamos, fui ler mais trecho do diário.
Diário,
Eu e Makoto acabamos de voltar da primeira consulta com a Rin. Mas, antes disso contarei o resto do meu dia, como se fosse muita coisa.
Acordei enjoada e vomitando. Já estou me acostumando com isso! Consequentemente, por conta da náusea, não comi muita coisa. Keiko até se mostrou preocupada comigo.
-Kazuko, você tem comido tão pouquinho. Tem ficado muito mal?
-Sim, Keiko, bastante enjoada. Como pouco para não vomitar.
-Sei que logo isso passa, mas não quer alguma coisinha para te ajudar a enfrentar essa fase melhor?
-Se eu puder, Keiko.
-Começarei a te dar um chá que eu tomava enquanto esperava a Mio.
Ela olhou para Makoto pedindo permissão. Ele assentiu. Antes de sair para o trabalho, me falou:
-A consulta na Rin é hoje. Preciso que esteja pronta na hora.
-Tudo bem, Makoto.
Despedimo-nos, e ele bateu a porta. Keiko imediatamente foi preparar o chá. Ela me ofereceu uma xícara. Bastou esta que eu me senti bem melhor. Por conta disso, consegui fazer minhas coisas normalmente. Próxima à hora de Makoto voltar, me arrumei, só para não dizer que simplesmente troquei de roupa e foi pela primeira que vi no armário.
Ele pontualmente chegou. Beliscou alguma coisa para tampar o estômago, e saímos. Normalmente não conversamos nas viagens de carro, só que, dessa vez, Makoto resolveu puxar assunto.
-Como foi seu dia, Kazuko?
-Foi bem, Makoto.
-O “chá milagroso” da Keiko te fez ficar melhor?
-Sim! Só com uma xícara.
Ele riu e comentou:
-Keiko e esses remédios naturais, melhores que médicos.”
Keiko sempre foi boa com esse tipo de coisa. Desde a minha infância ela recitava chás e mais chás de vários tipos de ervas e folhas.
Apenas os ricos podem se dar ao luxo de tomar chá, é algo muito caro, pois há pouco campo e este fica distante.
Eu ri do comentário.
Poucos minutos depois estávamos na sala de espera do consultório da Rin. Maioria, para não dizer todas, das que estavam ali eram mulheres de classe alta, muito bem vestidas e ostentando suas barrigas. E elas me observavam. Eu tenho essa cara de pobre e chamo muita atenção, ainda mais pelas minhas roupas. Elas são bem simples.
Essa sensação de ser observada é horrível. Eram olhares de indagação e reprovação. Algo como: “Essa pobretona aqui. Ainda mais com esses trajes.”
Ainda esperei por uma hora sob aqueles olhares, todas foram antes de mim. Meu horário era o último. Rin finalmente me chamou. Cumprimentou a mim e Makoto, depois falou:
-Todas as outras que vieram antes perguntaram de você. Coisas que já deve saber o que são.
-Essas pessoas preconceituosas, nunca tomarão jeito.
-Mais da metade das que vêm aqui não sabem que eu sou ex-escrava. Ainda bem! Minha credibilidade é pelo meu trabalho e não o meu passado.
Respondi com um sorriso, e ela trocou de assunto.
-E então? Como está?
-Bem. Só estou com muito enjoo, que felizmente descobri uma solução hoje.
-Algum chá, eu suponho.
-Isso mesmo!
-Vamos para a outra sala. Pode vir também, Makoto.
Fui, e Rin pediu para me deitar naquela cama com os apoios para as pernas. Ela examinou-me. Olhou a minha dita cuja, apalpou meus seios e depois falou para eu ir na mesma máquina que confirmara a minha gravidez duas semanas atrás. Apenas se ratificou de estava tudo bem com o bebê. Passou alguns exames para eu fazer e teve uma conversa com Makoto.
-Dra. Saho, gostaria que passasse uma dieta para a Kazuko, para que ela tenha todas as vitaminas necessárias.
-Claro! Só que ela ainda está um pouco instável. Temos que esperar esse primeiro trimestre passar. Aí nós teremos uma gravidez mais estável e com condições para isso.
Ele concordou e saímos em seguida. Nós jantaremos e dormiremos depois.
Até amanhã!”
Aconteceu o segundo round depois do término da leitura! (risos)
Só tive tempo de continuar no outro dia, à noite, pois, diferente de ontem, havia muito trabalho no escritório.
Cheguei à casa, tomei um banho e fui ler mais algumas anotações do diário. As que eu li equivaleram a uma semana.
Eu podia ouvir Kazuko e Keiko conversando na cozinha. Takumi dormia ao meu lado. Virei a página e prossegui a leitura.
Querido diário,
eu finalmente estou me acostumando com a gravidez, ou melhor, meu corpo está. O chá da Keiko, que tomo todo santo dia, me ajuda a conter os enjoos. Tão bom poder acordar, me espreguiçar e não precisar correr para o banheiro.
É sexta hoje. Não sei por que ele chegou mais cedo. Pediu para eu me trocar, pois iríamos sair.”
Era uma surpresa. Mas como tem uns anos que aconteceu, eu conto: Fomos comprar umas coisas para o bebê.
Descemos e chegamos a uma zona comercial. Paramos em frente a uma loja de gestantes e bebês. Totalmente óbvio o motivo. Só não achei que viríamos tão cedo.
-Que careta é essa, Kazuko?
-Não é nada. Só não esperava que viéssemos aqui, sabe. Ainda não tenho barriga aparente.
-Nunca é cedo para isso. - sorriu e me estendeu a mão – Vamos?
Essa foi uma atitude um tanto quanto estranha dele. Eu não evitei de fazer outra careta. Em que universo uma escrava anda de mãos dadas com seu dono?
Foi uma cena engraçada. Ele parado com a mão estendida, e eu olhando para ele, sem reação.
-Me dê logo a sua mão, a loja é muito grande, podemos nos perder.”
Desculpa esfarrapada minha! (risos)
Era um argumento muito ruim, mas eu aceitei. Acho que não tem nada demais em caminhar de mãos dadas, desde que a outra pessoa não seja seu dono. Porém, foi como uma ordem!
Entramos. A loja tinha três andares, o primeiro só de roupas, o segundo de móveis e a terceira de cômodos modelos. Começamos pelas roupas de bebê. Tinham de diversas cores e estavam separadas de uma maneira que eu não gosto.
-De onde veio essa ideia de azul para meninos e rosa para meninas? Isso me irrita.
-Da indústria. Acham que rosa é uma cor delicada como as mulheres, mas o azul é tão delicada quanto. Maldito sexismo!
Eu me recordo quantas vezes eu repeti essa pergunta e ninguém nunca me deu uma resposta dessa. Ou era “Porque é assim.” ou “Não faça esse tipo de pergunta idiota.” Não pude evitar de sorrir.
-Que foi?
-Nada. Só não esperava essa resposta.
-Mas é verdade.
E acabamos rindo juntos. Ele esticou a mão, e eu nem exitei em pegá-la.
Continuamos passeando pela loja. Makoto sugeriu comprar uns vestidos para quando minha barriga ficar maior. Devo ter levado uns vinte, além de algumas roupinhas. Nos outros andares apenas demos uma olhada, pois compraríamos algo dali depois. Voltamos para casa.
Mais tarde, eu estava distraída guardando as coisas recém-adquiridas numa das gavetas do meu quarto. De repente, Makoto entrou.
-Eu disse que não era para você ficar sozinha.
-Ah, desculpe, Makoto. Só vim guardar aqui rapidinho. Já vou deitar.
Era tão tarde que ele já vestia a sua roupa de dormir.
-Não precisa, podemos ficar aqui hoje, depois de... Você sabe.
-Sei bem, Makoto. Só de ter vindo até aqui, eu sei que você quer.
Então, ele se jogou na cama, com os braços sob a cabeça. Isso é, também, um outro sinal. Eu já sei quais são, todos eles.
Arranquei a cueca dele e fiz um oral nele, daquele jeito de sempre. Lambendo, mordendo e chupando. E pela primeira vez, ele gozou nessa etapa. Mandou-me engolir aquilo. Que nojo!
-Deita, Kazuko.
Obedeci. Ele acariciou meus seios e a parte de baixo e simplesmente penetrou, fez um movimento de vai-vem. Eu apenas gemia por conta das fortes estocadas que dava. Após alguns minutos, ele terminou e se ajeitou no outro canto da cama. Desejei-lhe boa noite e virei para o lado da janela. Ele não respondeu. Senti-o colar o seu corpo no meu, me abraçando.
-O que foi, Makoto?
-É que eu... Nunca senti o bebê.
-Nessa época não dá direito, ainda mais no meu estômago. - puxei a sua mão e pus no lugar certo – É aqui!
Ele fez um pouco de carinho e questionou na sequência:
-Tem algum problema dormirmos assim?
-Não, Makoto.
-Boa noite.
Respondi e adormecemos.
Estou até agora tentando entender o que foi isso.
Opa, Makoto me chama, preciso ir.”
Fechei o diário.

Esse comentário da Kazuko é justificável. Era a época em que comecei a me apaixonar por ela, sem perceber, achava que as minhas demonstrações de afeto eram por causa do bebê. Contudo, num futuro não muito distante daquele, eu perceberia o que realmente sentia.