sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Capítulo 30 - Viagem à praia (Parte 3)

Fiquei muito ocupado no trabalho no dia seguinte, tive que reler muitos processos e fazer petições. Então, só pude ler o diário quando voltei pra casa. Kazuko se prontificou em ajudar Keiko a terminar o jantar e Takumi brincava sentado no tapete da sala. Em alguns momentos, engatinhava para pegar o brinquedo que ele jogava para trás.

Não pude evitar de rir. Era algo engraçado e muito fofo!

Estava alternando minha visão entre as linhas do diário e Takumi, me sentindo um camaleão.

E comecei a ler a última anotação da viagem.
 

"Querido diário,

Acabamos de chegar da viagem, a volta foi tão longa quanto a ida. E na véspera dessa volta, cheguei muito cansada e dormi profundamente.

Makoto resolveu ser o meu marido no último dia que passamos lá. Acordei com o café da manhã na cama e com ele me chamando carinhosamente. Eu resmunguei um bom dia.

-E café na cama? - completei.

-Você merece, querida.

Fiz careta.

-Só não me chame assim, por favor.

-Mas esses vocativos também fazem parte.

-Eu não gosto deles.

-Como quer que te chame então?

-Kazuko! Eu te chamarei pelo nome também.

-Ok! - sorriu - Agora vamos comer logo que eu tô com fome.

Comemos e ficamos em casa pela manhã. Conversando e acabou rolando uns amassos também. Houve um momento em que ficou sentado e encostado na cabeceira da cama, comigo em cima dele. Estávamos vestidos tá? Fiquei impressionada, porque, normalmente, até esta altura já era para termos transado. Não que eu não quisesse, mas é que normalmente é assim.

Ele soprou minha franja, o que me fez sentir cócegas. Depois colocou-a para o lado e sorriu para mim. Isso era realmente um comportamento de casal, porque eu sorri em resposta. Em seguida, ele me jogou na cama e continuamos. E ocorreu o que queríamos.

Fizemos o almoço juntos e comemos. Durante a tarde, fomos mais uma vez à praia. Só que em vez de ficarmos sentados, resolvemos caminhar com os pés na água e de mãos dadas. Vimos muitas pessoas, crianças correndo, fazendo castelos de areia e catando conchas. E me permiti fazer isto também, era uma mais linda que a outra. Só restou a Makoto rir.

-Quando eu era pequeno fazia isto também - falou - E levava para casa.

-Ou seja, você está me chamando de infantil. - ironizei.

-Não. - se abaixou ao meu lado - Só me lembra minha infância. - pegou uma - Aqui, guarde essa.

Continuamos andando e as conchas iam para a bolsa que carregava, com um lanche. Ele me disse que iríamos a outro lugar. Chegamos à "ponta" da praia, onde era uma colina, subimos por uma trilha feita pela passagem de outras pessoas por alí. Não andamos muito até a descida começar e no final havia uma outra praia, vazia. Ela era muito mais bonita do que estávamos antes. Bem menor, sendo circundada por algumas colinas em volta dela. Era um trecho de areia que se juntava com o mar na ponta.

Chegamos e adorei ver as ondas batendo na praia. Sentamos e logo fomos dar um mergulho. Eu me senti bem mais à vontade por estarmos apenas nós dois.

-Gostou daqui? - Makoto indagou.

-Sim! - sorri - Vamos ficar até...

-O pôr-do-Sol. - completou - Ele é lindo aqui!

-Mas como iremos embora? Ficará escuro.

-Tem uma saída por ali quando a maré abaixa. - apontou para um dos lados, que dava na praia de onde viemos.

Alternamos entre a areia e a água, beliscando a comida que trouxemos. Então, Makoto me roubou um beijo, deitando-me sob a toalha estendida. Sim, era um outro sinal.

-Aqui? - soltei.

-É! - ia falar "alguém pode ver", mas ele me interrompeu - Não vem ninguém aqui, ainda mais essa hora.

Não tive como retrucar. A parte de baixo do meu biquíni foi tirada. Foi um pouco rápido, mas adrenalina e tensão de ser pega deixou diferente e eletrizante. Makoto acabou jogado em cima do meu corpo e arfando de novo. E me esmagando com o peso dele.

-Pode sair de cima de mim?

-Abre um espaço então. - reclamou

Ajeitou-se na toalha que era grande o suficiente para os dois. Soltou em seguida:

-Desculpe por isso, Kazuko.

-Por que pede desculpa por realizar outra fantasia sua?

-Eu fico com peso na consciência depois que faço.

-Ei! Eu estou aqui para isso ou não? Lembra da promessa do casamento?

Ele assentiu e mandou eu me vestir.

-Mas tire a parte de cima. - terminou colocando a bermuda e desamarrando o meu biquíni

Eu mal tinha me acostumado a usar duas peças e agora tinha que usar apenas uma. E não é algo confortável quando seus seios ficam sacudindo fora de controle. E sim, ele fez eu ir na água depois disso. Bem ou mal, foi divertido.

E o Sol resolveu encontrar com as águas e começar a dar lugar as estrelas e a Lua. Makoto e eu sentamos para assistir. Não pude deixar de me lembrar em que situação estávamos quando vimos o Sol se pôr da última vez.

-Da última vez que fizemos isso, estava grávida ainda.

-Sim. - concordou, me abraçando - Eu sei que fica se culpando pelo que aconteceu, só que acho que não era para ser, Kazuko. Eu fico imaginando como ficariam as coisas entre nós depois que o bebê nascesse.

-Mesmo assim, você não entende o que eu passei quando perdi. Sei que era um filho que não queria, mas era meu.

-Nosso, Kazuko. - me corrigiu - Nunca farei ideia disso, mas estarei aqui, para o que precisar."

 

E eu mantenho esta minha palavra até hoje.
 

"Sorri, agradecendo. E não conversamos mais até retornarmos à casa onde nos hospedamos.

-Gostou do passeio?

-Sim, Makoto. Mesmo ficando seminua numa praia deserta.

Rimos. Ficou silêncio e nos olhamos. Nos atracamos em um beijo, que acabou nos levando até o sofá. E foi ali mesmo. Quando acabou, ficamos largados, nus, tentando recuperar o fôlego. Demorou um pouco para tal. Comemos algo, tomamos banho e fomos dormir.

-Sabe que voltamos amanhã, né? - Makoto perguntou

-É amanhã, já? Perdi a noção do tempo.

-É bom viajar, né?

-Sim! Eu queria ficar mais tempo.

-Eu também. Mas meu pai alugou a casa pra amanhã. Podíamos até ficar, mas eu quis que nessa viagem fosse apenas nós dois. Alias, o aniversário dele está chegando.

-E fomos convidados.

-Intimados, na verdade. Família é assim!

Eu ri. Assim, nos viramos e dormimos.

Acordei com a luz me perturbando e Makoto despertou quase que ao mesmo tempo praticamente. Tomamos um café rápido e saímos. Ele colocou música e passamos a volta cantando no carro. Pelo menos, até chegarmos aos limites de Ioma.

O carro ficou quieto e uma inquietação se instaurou em mim. Senti que a "fantasia" estava chegando ao fim. Eu ia me divorciar de Makoto e voltaria a ser a Kazuko escrava.

Finalmente chegamos e subimos com as malas para o apartamento. Ele abriu a porta e disse:

-Viajar é bom, mas pisar em casa é melhor ainda.

Eu não consegui conter a breve e grande chateação e logo ele notou, simplesmente por dirigir o olhar para mim.

-Que foi, Kazuko?

-Agora tudo volta ao normal, não é?

-O que está querendo dizer?

Levantei a mão esquerda, mostrando a aliança que ele colocara no meu dedo anelar dias atrás.

-Podemos prolongar isso mais um pouquinho. Até amanhã!

-Não é esse o problema.

-E qual o problema então?

-Tudo. Tudo é o problema."



Eu entendi imediatamente o que ela quis dizer. Mas não poderia resolver imediatamente.

 
"-Sabe que não posso fazer nada quanto a isso.

-Eu sei. E você também não o quer. - falei tentando conter as lágrimas que insistiram em vir e não conseguia.

Makoto não respondeu. Secou meu rosto e pegou na minha mão. Deu-me um beijo calmo. Levou-me para o quarto em seguida.

E aconteceu igual na primeira noite da viagem. Sem pressa, sem conversa e sem aquela de dono e escrava. Era só o Makoto e a Kazuko.

Tomamos banho juntos e comemos depois. Então, vim para o quarto para poder escrever. Pelo menos, tenho esses momentos de privacidade, porque ele me dá. Sabe que preciso disso.

E nós já nos "divorciamos", as alianças estão guardados no escritório.

Agora voltarei a fazer companhia a Makoto na sala.

Até!"



Fechei o diário e fui acudir Takumi, que por muito pouco não bateu com a cabeça na mesinha de centro. Emendei isso com uma brincadeira e vi o seu sorriso e ouvi sua risada.

Fiquei cuidando dele até a hora do jantar.

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